Trotes universitários – um chato falando de outros…
Publicado em Viver Nerd fevereiro 12th, 2009 por: Lucas – Seja o primeiro a comentar!Trotes universitários
Bem, eu não sei se é de conhecimento de todos, mas eu estou de férias. Com tanto tempo livre decidi assistir aquela caixa cinza que temos na sala, chamada televisão.
Sensacionalismo ou não assisti várias reportagens que abordaram o assunto dos trotes escolares, trotes violentos e humilhantes. – Mas o que leva uma pessoa submeter-se à este tipo de abuso ? Ou pior – O que leva uma pessoa a abusar de outras desta forma? A aceitação social hoje buscada pelos adolescentes e a pressão imposta pela própria sociedade pode ser uma das razões pelas quais jovens se submetem a tal humilhação. O desejo de ser igual, o desejo de ser alguém e fazer parte de um circulo social é aceitável, mas ser humilhado para fazer parte do mesmo ou até mesmo se ferir (como neste caso) , mostra uma que os jovens de hoje possuem uma balança de valores distorcida senão depravada. É fato que os jovens de hoje recebem muito mais influência do meio externo do que do meio externo, entretanto não vejo como isso pode resultar no desamparo social destes indivíduos. O afastamento dos pais na vida do adolescente pode e ajuda a explicar este comportamento, cabe aqui uma pausa para falarmos sobre responsabilidade e culpa.
Em minha concepção simples e hilária culpa e responsabilidade são duas coisas bem distintas…
Este texto do baguete ilustra exatamente o que quero dizer.
Responsabilidade e culpa se confundem. Para muitos, quem se sente culpado demonstra responsabilidade. Entretanto, eu acredito que o sentimento de culpa é, na verdade, uma forma de não assumir a responsabilidade.
Joãozinho está muito feliz porque comeu o doce que a mãe fez para receber as visitas. O sorriso de Joãozinho se desfaz assim que vê a expressão da mãe. Ela grita acusadora: “Você comeu o doce da geladeira! Você é feio! Você devia se envergonhar!” Joãozinho substitui o sorriso por um choro convulsivo. Agora a mãe parece mais calma, até carinhosa. Ensinou o filho a se arrepender. E pensa que lhe ensinou também a assumir a responsabilidade. A repetição deste ritual transforma Joãozinho num menino bonzinho, que aprende a se sentir culpado pelos seus erros.
Durante a infância somos ensinados a nos sentirmos culpados e envergonhados quando cometemos um erro. Nossos pais nos ensinam a confundir responsabilidade com culpa. E então, quando cometemos um erro ou uma omissão, tendemos a pensar que basta nos sentirmos mortificados, para assumir a responsabilidade. Ao contrário, muitas vezes o sentimento de culpa evita que a pessoa se responsabilize verdadeiramente pelo erro. Funciona como um lenitivo que permite que a pessoa conviva com o erro. E então o erro e a culpa associada são introjetados como parte da própria pessoa. Ela passa a se identificar com o erro. Ela diz “eu sou errada” ao invés de “cometi tal erro, em tais circunstâncias”. E assim, ao incorporar esta dor, impede-se de tomar uma decisão quanto a qual comportamento adotar no futuro nas mesmas circunstâncias. A culpa substitui e paralisa a ação corretiva. A auto-estima da pessoa cai e ela não se sente motivada para agir.
Um exemplo corriqueiro pode ajudar a ilustrar a diferença entre culpa e responsabilidade. Talvez você tenha uma “caixa de entrada” em seu escritório onde deposita os papéis que chegam. Se você faz como a maioria das pessoas, você deixa ali também os papéis que pedem uma ação; para “não serem esquecidos”. O que faz com que a caixa de entrada se transforme, com o passar do tempo, numa pilha de pendências. Muito provavelmente os papéis que se encontram embaixo da pilha pedem uma ação cujo prazo já passou. Ora, então esse papel agora é apenas lixo. Porque então você não o joga no lixo? Talvez você responda: “para não esquecer que eu devia fazer aquilo”. Ora, o que você não quer esquecer é apenas a culpa por não ter feito. Você não joga o papel fora porque não quer assumir a responsabilidade por não ter feito o que lhe foi pedido. Mas você tem o direito de não fazer tudo o que lhe pedem. Muito provavelmente você fez outras coisa mais importantes do que aquilo. Ainda assim você não se permite esquecer. Aquele papel ocupa a sua caixa assim como a culpa ocupa a sua mente. Ele é mais um espinho na coroa que você carrega. E você sofre com cada uma das pendências vencidas que se acumulam. Sente-se oprimido e vítima delas, sua auto-estima se deteriora e você não tem coragem de jogar aquela pilha de papéis inúteis fora. Você não tem coragem de assumir a responsabilidade porque prefere carregar a culpa.
A própria cultura reforça este comportamento. O ritual católico da confissão não faz outra coisa senão gerar um sentimento de culpa que inibe a pessoa de se responsabilizar por sua escolha. Ela não tem a possibilidade de escolher. Ela “é” pecadora e imperfeita. Está marcada pelo pecado original. O que lhe resta é a contrição, o sentimento que lhe permite conviver com o pecado.
A pessoa livre é responsável por seus atos. Também é responsável e culpada por seus erros. Mas basta referir os sentimentos associados para que a diferença se aclare. O sentimento de responsabilidade é um sentimento positivo, afirmativo um sentimento de potência, que elicita a vontade de agir e que se volta para o futuro.
A culpa é um sentimento negativo, debilitante, inabilitante, que paralisa, voltado para o passado.
A essência está aqui: a responsabilidade molda o futuro, a culpa prende ao passado.
O culpado se prende ao passado: ao que, já feito, não pode ser desfeito. A culpa é uma vontade de mudar o passado. É uma espécie de delírio, desejo do impossível. Daí o sentimento de impotência ou a fuga para o esquecimento, para a negação de si e da realidade.
Já o indivíduo que se responsabiliza por um erro cometido, paradoxalmente, se liberta do passado. Aceita-o como passado, aceitando a si e à realidade como imperfeitos (não ideais) e reconhecendo sua potência para mudar o futuro.
Fonte http://www.baguete.com.br/colunasDetalhes.php?id=782
Em fins pais são responsáveis pelos seus filhos e seu comportamento futuro ? – Juro que não sei a resposta ainda…
Acho que desta vez quem esta escrevendo é meu lado anti-social que acha, ou melhor, tem certeza de que certas coisas não deveriam acontecer…
Por outro lado desde quando pessoas são pessoas, atos de humildade de ajuda social também são presenciados. Trotes construtivos, como arrecadar alimentos perecíveis ou ajudar um lar de idosos são exemplos desta prática.
Em fins o que vocês acham dos trotes universitários ? Por gentileza comentem! Afinal… O universo conspira ao meu favor xD…

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